Nova Prisão Preventiva de Ex-Procurador do Instituto Rio Metrópole Revela Indícios de Corrupção

Na última quarta-feira, 16 de agosto, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) executou uma nova prisão preventiva de Marcelo Lopes da Silva, ex-procurador-geral do Instituto Rio Metrópole (IRM). A ação faz parte das investigações da Operação Ouroboros, que já havia culminado na detenção de Marcelo na fase inicial da operação.
Contexto da Prisão e Novas Evidências
A prisão anterior de Marcelo ocorreu em um momento crítico da Operação Ouroboros, mas foi revogada por um habeas corpus judicial. A nova ordem de prisão foi emitida pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital, após a análise de um celular apreendido que revelou novos elementos relacionados a atos de corrupção e lavagem de dinheiro.
Esquema de Corrupção e Lavagem de Dinheiro
Segundo informações do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do MPRJ (Gaesf), Marcelo teria instruído sua então companheira, Thays Pinho Carneiro da Silva, a abrir um microempreendimento individual (MEI) para facilitar contratos com a Engeconsult. Esta empresa possuía vínculos financeiros significativos com o IRM, e o contrato estipulava pagamentos de R$ 30 mil, distribuídos em seis parcelas de R$ 5 mil, por serviços administrativos que, segundo a investigação, serviram para encobrir uma vantagem indevida.
Comunicações Reveladoras
As mensagens recuperadas no celular de Marcelo indicam que ele solicitou que as discussões relacionadas a esses contratos não fossem documentadas. O contrato com a Engeconsult foi assinado no mesmo dia em que a empresa foi criada, e a data do contrato precedia sua constituição oficial. Os pagamentos foram direcionados a uma conta em nome de Thays, reforçando as suspeitas de irregularidades.
Continuidade das Atividades Ilícitas
Mesmo após sua saída do IRM, ocorrida em 8 de junho deste ano, Marcelo continuou a se envolver com o grupo. Apenas uma semana após sua exoneração, ele foi solicitado a elaborar um parecer e prontamente respondeu: 'Deixa comigo'. Essa postura demonstra que suas atividades ilegais não estavam restritas ao cargo que ocupava.
Aditamento da Denúncia e Extensão das Acusações
Com as novas provas obtidas, o MPRJ ampliou a denúncia contra Marcelo, incluindo seis crimes de corrupção passiva e seis de lavagem de dinheiro. Hélio Augusto Machado Pessôa, representante da Engeconsult, também enfrenta novas acusações, totalizando seis crimes de lavagem de dinheiro. A Justiça já aceitou o aditamento da denúncia.
Desdobramentos da Operação Ouroboros
A primeira fase da Operação Ouroboros foi lançada em julho e resultou na denúncia de 11 indivíduos por envolvimento em um esquema que desviou recursos do IRM, totalizando R$ 86,28 milhões. As investigações revelaram que os valores pagos ao IRM por empresas como a Engeconsult e a R. Peotta Engenharia eram repassados a uma entidade chamada Instituto BIO, que não possuía a infraestrutura necessária para os serviços contratados, e que posteriormente sacava esses valores em espécie.
Início da Investigação
A apuração começou após a apreensão de R$ 500 mil em espécie, transportados sob escolta armada, em janeiro deste ano. A investigação identificou 28 transferências das empresas contratadas para o Instituto BIO, totalizando R$ 3,29 milhões, além de 13 saques que somaram R$ 3,02 milhões entre maio de 2025 e janeiro de 2026, evidenciando a magnitude do esquema de corrupção.
Conclusão
A nova prisão de Marcelo Lopes da Silva reforça a gravidade das acusações no âmbito da Operação Ouroboros, revelando um esquema complexo de corrupção e lavagem de dinheiro que envolveu grandes quantias e diversas manobras para ocultar os atos ilícitos. A continuidade da investigação e o desdobramento das denúncias demonstram o empenho das autoridades em combater a corrupção no setor público.













