Monilíase no Acre: governo prorroga emergência fitossanitária por mais um ano

Monilíase no Acre: governo prorroga emergência fitossanitária por mais um ano

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) oficializou a prorrogação, por mais um ano, da emergência fitossanitária voltada ao combate da monilíase. A medida, publicada no Diário Oficial da União, estende o prazo de vigência do decreto que visa conter a proliferação da praga quarentenária, identificada pela primeira vez no Brasil em 2021, que ataca severamente as culturas de cacau e cupuaçu.

Esta é a quinta vez que o governo federal renova o estado de emergência, reforçando a necessidade de vigilância contínua na região amazônica. A portaria, que entra em vigor no dia 5 de agosto, abrange não apenas o Acre, mas também os estados do Amazonas, Pará e Rondônia, considerados áreas de risco para a introdução e dispersão do fungo Moniliophthora roreri.

Estratégias de contenção e monitoramento regional

As ações de controle concentram-se em áreas específicas do Acre, como Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Marechal Thaumaturgo. Segundo o superintendente do Mapa no Acre, Paulo Trindade, o monitoramento sistemático realizado em propriedades rurais tem sido fundamental para impedir que a praga avance para além dos focos iniciais, mantendo o estado sob quarentena desde 2022.

O plano emergencial prevê a identificação georreferenciada de áreas críticas, permitindo uma vigilância mais precisa. Além disso, o governo mantém protocolos rigorosos de biossegurança, especialmente no transporte de amêndoas, e diretrizes de supressão e erradicação de focos confirmados, conforme estabelecido pela portaria nº 818, de 21 de julho de 2025.

Impactos econômicos e riscos à produção agrícola

A monilíase é reconhecida como uma das ameaças mais destrutivas para a agricultura nacional, com capacidade de comprometer até 80% de uma plantação. O fungo ataca diretamente os frutos, causando deformações, manchas escuras e o apodrecimento progressivo, o que gera prejuízos econômicos significativos para os produtores locais.

Para mitigar esses danos, o Ministério da Agricultura intensificará as ações de educação fitossanitária. O objetivo é capacitar produtores rurais para a identificação precoce de sintomas, como o surgimento de uma camada de pó esbranquiçado ou creme na casca dos frutos, que indica a presença de esporos prontos para dispersão pelo vento. Mais informações sobre as diretrizes oficiais podem ser consultadas no portal do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Histórico de combate à praga no interior do Acre

Desde a detecção do primeiro foco em 2021, o governo tem adotado medidas excepcionais para evitar que a doença chegue a outras regiões produtoras do país. O histórico de enfrentamento inclui o corte de centenas de árvores infectadas, uma estratégia de isolamento que visa proteger a integridade das lavouras de Theobroma cacao e Theobroma grandiflorum.

Embora a monilíase não ofereça riscos à saúde humana, o potencial de destruição das culturas exige notificação imediata de qualquer suspeita. A continuidade da emergência fitossanitária garante que o Estado disponha de ferramentas legais e operacionais para manter o controle sobre a praga, protegendo a economia regional e a sustentabilidade da cadeia produtiva do cacau e do cupuaçu.

Fonte: g1.globo.com

Redação - WM

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