A Desinformação em Saúde: Quase 90% dos Conteúdos Virais São Falsos, Revela Agência Lupa

A Desinformação em Saúde: Quase 90% dos Conteúdos Virais São Falsos, Revela Agência Lupa

A Agência Lupa, pioneira na checagem de informações no Brasil, divulgou um relatório alarmante que revela que 87,3% dos conteúdos virais relacionados à saúde, revisados entre março de 2017 e junho deste ano, são falsos. Essa análise, que abrange uma amostra de 764 materiais, identificou 667 publicações como inverídicas. O estudo, intitulado Raio-X da Desinformação em Saúde, foi realizado com o suporte do grupo Afya, um dos maiores do setor educacional médico no Brasil.

Frequência da Desinformação

De acordo com os dados da Lupa, a média anual de conteúdos falsos sobre saúde é de aproximadamente 72, o que equivale a cerca de seis casos mensais. A caracterização de conteúdo viral refere-se àqueles que se espalham rapidamente na internet, atingindo uma vasta audiência e gerando um engajamento significativo, através de visualizações, curtidas e compartilhamentos.

Impacto da Pandemia

Durante os anos de 2020 e 2021, a pandemia intensificou a circulação de informações errôneas, com a Lupa checando cerca de dez vezes mais conteúdos do que nos três anos anteriores, totalizando 452 publicações. Essa explosão de desinformação foi impulsionada por táticas como a utilização de falsas autoridades que prometiam curas e soluções simples para problemas complexos, um padrão que já existia antes da crise sanitária, mas que se tornou muito mais prevalente.

Técnicas de Disseminação

Cristina Tardáguila, fundadora da Agência Lupa, destaca que um dos principais desafios na luta contra a desinformação em saúde é a apropriação da linguagem e da autoridade de profissionais da saúde, tornando essas informações falsas aparentemente legítimas. No levantamento, 21,6% das desinformações foram atribuídas a essa técnica de falsa autoridade, seguida por 17% que utilizavam medo e linguagem alarmista. Distorções de dados e estudos representaram 15,7%, enquanto soluções simplificadas para questões complexas corresponderam a 12,6% das estratégias observadas.

Temas Mais Comuns

Nos últimos nove anos, os assuntos mais frequentes nas checagens da Lupa envolveram covid-19 (61%), seguido de tratamentos e curas (34%), e nutrição (24%). Esses dados mostram uma clara tendência na desinformação, especialmente em relação a temas de saúde muito discutidos na sociedade.

Desinformação sobre Vacinas

Antes da pandemia, conteúdos sobre vacinas representavam apenas 9,1% das checagens realizadas pela Lupa. Contudo, essa porcentagem subiu para 33,2% durante a emergência sanitária e alcançou 38,9% entre 2022 e 2024. No último período analisado, entre 2025 e junho de 2026, essa proporção caiu para 20%, mas ainda é mais do que o dobro do que era antes da pandemia. De 244 alegações sobre vacinas verificadas, 212 (86,9%) foram classificadas como falsas.

Influência de Figuras Públicas

O relatório também revelou que 142 conteúdos analisados incluíam a participação de figuras públicas, como Jair Bolsonaro, Bill Gates e Drauzio Varella. No entanto, a presença dessas personalidades não implica que tenham endossado as informações, mas sim que sua reputação é frequentemente utilizada para propagar desinformação.

Canais de Circulação

O aplicativo WhatsApp se destacou como a plataforma mais associada à disseminação de desinformação em saúde, com mais de 70% das checagens originadas de conteúdos que circularam por esse meio. O Facebook ficou em segundo lugar, com 25,3% das publicações, enquanto o Instagram foi responsável por 7%. É importante ressaltar que os dados não confirmam que o WhatsApp seja a origem dessas informações errôneas, mas sim que é um canal relevante na identificação de conteúdos que circulam amplamente.

Conclusão

A análise da Agência Lupa evidencia um cenário preocupante de desinformação em saúde, destacando a necessidade urgente de estratégias para combater a propagação de informações falsas. O papel dos profissionais de saúde se torna cada vez mais crucial, não apenas na orientação de pacientes, mas também na promoção de um ambiente informativo seguro em meio ao excesso de dados disponíveis, muitos dos quais carecem de respaldo científico. A conscientização e a educação são fundamentais para mitigar os efeitos nocivos da desinformação.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Redação 👨‍⚖️​ Wilson Marinho

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