Saúde na Amazônia: novos pontos de atendimento reduzem distâncias em Carauari

A rotina de milhares de ribeirinhos em Carauari, no Amazonas, passou por uma transformação significativa com a inauguração de dois novos pontos de atendimento à saúde. Localizadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari, as unidades foram instaladas nas bases da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) nas regiões de Campina e Bauana. O projeto visa mitigar as dificuldades geográficas que, historicamente, forçavam moradores a percorrer dias de barco para acessar consultas básicas na zona urbana.
Modelo SUS na Floresta integra tecnologia e assistência local
O projeto, denominado SUS na Floresta, é uma iniciativa de parceria público-privada que busca fortalecer a rede pública sem criar estruturas paralelas. A infraestrutura conta com consultórios para atendimentos presenciais e remotos, sala de triagem, consultório odontológico e conexão de internet para viabilizar a telessaúde. A gestão é realizada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), com suporte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da prefeitura local.
Segundo Guilherme Sylos, diretor do IDIS, o objetivo central é o suporte à Estratégia Saúde da Família. Os profissionais que atuam nos postos estão vinculados à rede pública, garantindo que o atendimento siga as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa integração permite que casos de menor complexidade sejam resolvidos localmente, evitando o deslocamento oneroso e demorado até a sede do município.
Impacto imediato na rotina das comunidades ribeirinhas
A presença das unidades já apresenta resultados práticos para a população, como no caso de gestantes que agora realizam o pré-natal próximo às suas residências. Antes da implementação, a necessidade de navegar pelo Rio Juruá, cujas condições variam drasticamente entre os períodos de cheia e seca, impunha riscos e custos elevados às famílias. Para muitos, o custo do combustível para as embarcações representava um entrave financeiro recorrente.
Além do acompanhamento gestacional, os pontos de atendimento têm sido cruciais para o tratamento de ferimentos e o controle de doenças sazonais. O enfermeiro Antônio Carlos Alves Bezerra relata que, desde o início das operações em julho, a unidade já evitou diversas solicitações de ambulanchas, realizando desde curativos complexos até o monitoramento de pacientes hipertensos e casos de síndromes gripais em crianças.
Cobertura e alcance do projeto na região
As novas estruturas, batizadas em homenagem a líderes comunitários locais — Raimundo Ribeiro de Lima (Saborá) e Laice Santos do Nascimento —, possuem uma capacidade de atendimento que abrange 56 comunidades ribeirinhas. Estima-se que cerca de 4,7 mil pessoas sejam beneficiadas diretamente pela proximidade dos serviços. A iniciativa reforça a importância de soluções adaptadas à realidade amazônica, considerando a sazonalidade dos rios e a dispersão territorial.
Para aprofundar o conhecimento sobre as estratégias de saúde pública em áreas remotas, consulte mais detalhes sobre as diretrizes do Ministério da Saúde. A continuidade do projeto depende da manutenção da parceria técnica entre os entes envolvidos, consolidando um modelo que pode servir de referência para outras regiões isoladas do país.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br













