Operador Nacional do Sistema Elétrico Suspende Geração Excedente pela Segunda Vez em 2023

Em uma ação que reflete a dinâmica do setor elétrico brasileiro, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ativou, pela segunda vez neste ano, o plano emergencial para mitigar a geração excessiva de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN). A medida, que é uma resposta às flutuações na oferta e demanda de energia, foi implementada neste domingo, 23 de julho, entre 11h e 13h30.
Objetivos e Impactos da Medida
O principal intuito da suspensão da geração é assegurar a estabilidade do sistema elétrico em um período de baixa demanda, típico dos finais de semana. Importante destacar que essa ação não terá impacto direto sobre os consumidores finais, afetando apenas as distribuidoras de energia. O ONS busca garantir que a segurança do fornecimento de eletricidade seja mantida, evitando sobrecargas e possíveis instabilidades.
Tipos de Usinas Afetadas
O plano abrange a restrição da geração em usinas classificadas como Tipo 3, que incluem pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas a biomassa, bem como empreendimentos eólicos e solares de menor porte. Além disso, o ONS também implementou medidas adicionais para controlar a produção nas usinas sob sua supervisão direta, reafirmando seu compromisso com a eficiência do sistema.
Histórico de Acionamentos do Plano Emergencial
O primeiro acionamento do plano emergencial em 2023 ocorreu em 7 de junho, durante o feriado de Corpus Christi. Naquela ocasião, o ONS gerenciou a redução de 1 mil megawatts (MW) entre 10h e 14h. Esse tipo de ação se tornou necessário devido ao crescimento da geração distribuída, especialmente no segmento de energia solar, que, em agosto de 2025, quase causou uma sobrecarga ao representar 37,6% da demanda nacional.
Preparativos para Cortes Automáticos
Recentemente, o ONS anunciou a criação de um sistema automatizado destinado a realizar cortes na geração distribuída em situações críticas. Intitulado Esquema Regional de Alívio de Geração (Erag), esse mecanismo permitirá o desligamento de até 3 gigawatts (GW) da geração, divididos em três estágios de 1 GW cada. A implementação deste sistema está prevista para um projeto-piloto até o final de 2026, com a possibilidade de avançar para uma aplicação mais ampla em 2027, caso os testes sejam bem-sucedidos.
Reação das Distribuidoras de Energia
A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) relatou que as distribuidoras estão prontas para seguir as diretrizes estabelecidas pelo ONS em relação ao plano de cortes. A entidade enfatizou a necessidade de critérios claros e detalhados para garantir a segurança operacional e jurídica dos geradores, de modo a facilitar a execução das medidas e minimizar os riscos associados às flutuações na oferta de energia.
Conclusão
As ações do ONS refletem a crescente complexidade da gestão do sistema elétrico brasileiro, especialmente diante do aumento da geração distribuída. A capacidade de adaptar-se a essas mudanças é crucial para garantir a segurança e a eficiência do fornecimento de energia. Com a implementação de novos mecanismos e a colaboração das distribuidoras, o ONS busca mitigar riscos e assegurar um fornecimento estável e confiável de eletricidade para todos os usuários.













