Mortandade de Peixes no Rio Amazonas gera Alerta em Juruti após Dragagem

Mortandade de Peixes no Rio Amazonas gera Alerta em Juruti após Dragagem

Na tarde da última terça-feira (14), moradores de comunidades ribeirinhas de Juruti, no oeste do Pará, presenciaram a morte de diversos peixes nas proximidades da dragagem em andamento no Rio Amazonas. Vídeos capturados por residentes mostram uma quantidade alarmante de peixes mortos tanto nas margens do rio quanto submersos na água, elevando a preocupação sobre os impactos ambientais decorrentes dessa atividade.

Reações da Comunidade e Impasse Legal

As gravações revelam um morador caminhando pela margem do rio e relatando a quantidade de peixes mortos, enquanto outros moradores entram na água para verificar a situação. Os registros foram feitos apenas quatro dias após o início de uma nova fase da dragagem, promovida pela Alcoa, que visa facilitar o acesso ao terminal portuário da empresa. Esse episódio ocorre em um contexto de tensão, uma vez que no mesmo dia, o Ministério Público Federal (MPF) emitiu uma notificação à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) e à Alcoa, pedindo a suspensão imediata da dragagem.

Irregularidades Ambientais e Preocupações das Comunidades

O MPF fundamentou sua recomendação em possíveis irregularidades no processo de autorização ambiental da obra, além de indícios de danos socioambientais às comunidades que habitam a região. O órgão destacou que a atividade foi iniciada sem a realização de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (Rima), documentos considerados essenciais para intervenções de grande porte como essa.

Críticas e Impactos Identificados

Na última sexta-feira (10), líderes de 13 comunidades ribeirinhas também expressaram sua insatisfação em uma nota pública, alegando que a dragagem começou sem a presença de representantes locais, apesar de um acordo prévio mediado pelo Ministério Público. Entre os impactos já notados pelas comunidades estão o assoreamento de lagos e igarapés, a deterioração da qualidade da água, a diminuição da pesca, o surgimento de parasitas em peixes e prejuízos à agricultura de várzea.

Posicionamentos das Empresas e Autoridades

Em resposta às preocupações levantadas, a Alcoa afirmou que recebeu a recomendação do MPF e já forneceu os esclarecimentos necessários. A empresa enfatizou que mantém um diálogo constante com os órgãos de fiscalização, além de se comprometer a colaborar com as autoridades competentes. Por outro lado, a Semas declarou que está monitorando a dragagem no trecho de acesso ao terminal e informou que a dispensa de licenciamento ambiental, conforme a Lei Federal nº 15.190, se aplica a essa operação.

Próximos Passos e Acompanhamento da Situação

O g1 está aguardando um posicionamento da Alcoa e da Semas sobre os incidentes reportados pelos moradores, especificamente em relação à mortandade de peixes. A situação continua a ser acompanhada de perto, tanto pelas comunidades ribeirinhas quanto pelas autoridades, que buscam entender as implicações ambientais e sociais da dragagem no Rio Amazonas.

Fonte: https://g1.globo.com

Redação - WM

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