Ex-detento luta por transferência universitária após oito meses de espera

Wallace William da Costa, um estudante de medicina de 47 anos, enfrenta um longo e angustiante processo de transferência entre universidades. Atualmente matriculado na Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), ele deseja mudar-se para a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, para ficar mais próximo de sua família. A solicitação de transferência foi protocolada há oito meses, e Wallace aguarda ansiosamente uma solução que lhe permita continuar seus estudos.
O Pedido de Transferência
O pedido de transferência de Wallace foi realizado em novembro de 2025, mas a documentação só foi recebida pela UFJF em abril de 2026. A UFNT confirmou que a transferência foi oficialmente registrada na universidade de destino no dia 30 de junho de 2026, mas o processo ainda não avançou, aguardando a avaliação do curso de medicina na nova instituição.
Desafios Pessoais e Profissionais
Distante dois mil quilômetros de sua família, Wallace enfrenta não apenas a saudade, mas também a necessidade de cuidar de sua filha, que é diagnosticada com autismo. Durante o período letivo, ele mantém contato com seus familiares apenas nas férias, o que intensifica sua vontade de retornar a Minas Gerais. Infelizmente, ele não tem condições financeiras de trazer sua família para Araguaína, onde atualmente reside.
Reflexão sobre Preconceito
Wallace acredita que a lentidão do processo de transferência é um reflexo de preconceitos enraizados em relação ao seu passado. Ele foi preso aos 18 anos por tráfico de drogas e cumpriu seis anos de pena, dos quais quatro foram em regime fechado. A confirmação do cumprimento de sua condenação e a extinção de sua punibilidade pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais não parecem ter amenizado as dificuldades enfrentadas por ele ao tentar avançar em sua educação.
Superação e Futuro Promissor
Durante seu tempo na penitenciária, Wallace decidiu retomar os estudos e começou a se preparar para um futuro melhor. Ele descreve um momento de epifania ao olhar pela janela e perceber que a prisão não era o caminho que desejava. Desde então, ele se dedicou ao aprendizado, completando o curso de enfermagem enquanto estava em liberdade condicional. Além de sua trajetória na medicina, ele também foi aprovado em diversos concursos públicos, incluindo um para o cargo de médico em Minas Gerais, que espera ocupar assim que concluir sua graduação.
Conclusão
A luta de Wallace William da Costa por uma transferência acadêmica ilustra não apenas os desafios que indivíduos com passados difíceis enfrentam, mas também a importância da educação como um caminho para a reintegração social. A espera angustiante por uma resposta da UFJF reflete uma realidade que muitos ex-detentos enfrentam na busca por oportunidades de reconstrução de suas vidas. Com determinação e resiliência, Wallace continua a trilhar seu caminho rumo ao sonho de se tornar médico.
Fonte: https://g1.globo.com











