Governo Solicita Criação de Comissão para Análise da MP das Blusinhas

O governo federal anunciou que fará um pedido formal ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), nesta terça-feira (11), para que seja instaurada uma comissão mista encarregada de avaliar a medida provisória (MP) conhecida como 'taxa das blusinhas'. Essa MP, que isentou de Imposto de Importação de 20% as compras realizadas pela internet até o valor de US$ 50, foi editada em maio de 2023.
Prazo Crítico para Aprovação da Medida
A MP 1357 de 2026, que estabelece a referida isenção, precisa ser aprovada tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado até o dia 8 de setembro, caso contrário, perderá a validade. Diante do calendário legislativo apertado, com sessões de 'esforço concentrado' programadas por apenas duas semanas antes das eleições, existe uma preocupação crescente sobre a possibilidade de a medida não ser analisada a tempo.
Prioridade na Instalação da Comissão
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, anunciou que solicitará a Alcolumbre a instalação de todas as comissões mistas necessárias para a análise das medidas provisórias do governo, enfatizando a importância da MP que zera a 'taxa das blusinhas'. Em suas redes sociais, Guimarães destacou que a instalação da comissão é uma prioridade e que o governo trabalhará para a rápida aprovação da medida.
Negociações em Curso
Além da MP das blusinhas, o governo também está empenhado em evitar a votação de propostas que possam comprometer o equilíbrio das contas públicas. Guimarães revelou que está em diálogo com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), a respeito da votação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 114 de 2026, que é considerado uma prioridade para o Executivo. Esse projeto visa criar regras para renúncias de receita que ajudem a mitigar os impactos do aumento do preço do petróleo, agravados pela situação de conflitos no Oriente Médio.
Críticas do Setor Empresarial
A MP das blusinhas enfrenta resistência por parte de setores empresariais, que argumentam que a nova regra favorece os concorrentes internacionais em detrimento da indústria nacional. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contestando a medida, alegando que ela infringe princípios constitucionais que garantem a proteção do mercado interno. Em um comunicado, a CNI afirmou que a MP concede vantagens injustas a indústrias estrangeiras, prejudicando o setor produtivo brasileiro.
Justificativas do Governo
Contrapondo as críticas, o governo defende que a MP visa estimular o consumo popular e facilitar o acesso a produtos importados. O Ministério da Fazenda informou que a implementação da medida foi possibilitada por ações voltadas ao combate ao contrabando e à regularização do setor de compras internacionais online, buscando garantir um ambiente de compras mais justo e acessível para os consumidores brasileiros.
Conclusão
Com a pressão para a instalação da comissão mista e a necessidade de aprovação da MP até setembro, o governo enfrenta um desafio significativo. Ao mesmo tempo, as vozes contrárias da indústria nacional levantam questões sobre a competitividade do mercado interno. O desenrolar dessa situação será crucial para a definição das políticas de importação e do futuro econômico do Brasil.













