Memória e Justiça: Quatro Anos do Naufrágio da Dona Lourdes II no Pará

Nesta terça-feira, 8 de setembro, familiares das vítimas do trágico naufrágio da lancha Dona Lourdes II se reuniram em Belém para marcar os quatro anos da tragédia, que resultou na morte de 23 pessoas. O ato, realizado na escadinha da Estação das Docas, serviu como um tributo às vidas perdidas e uma chamada à ação por justiça.
Lembranças do Naufrágio
No dia 8 de setembro de 2022, a lancha Dona Lourdes II naufragou nas proximidades da Ilha de Cotijuba, na Baía do Marajó. A embarcação partiu de um porto clandestino em Cachoeira do Arari e, segundo informações, transportava mais de 80 passageiros, sem uma lista oficial de ocupantes. Durante a tragédia, muitos se atiraram ao mar em busca de sobrevivência, o que contribuiu para a superlotação da lancha.
Demandas por Justiça
Os familiares e sobreviventes expressam sua indignação com a lentidão do processo judicial que envolve o comandante da lancha, Marcos de Souza Oliveira. Indiciado por homicídio doloso e risco à navegação, ele foi liberado após meses, sob medidas cautelares. A expectativa é que ele seja levado a júri popular em abril de 2025, embora a data exata ainda não tenha sido definida.
Condições de Segurança e Transporte
Relatos de sobreviventes destacam uma série de falhas que contribuíram para o naufrágio, incluindo a condição inadequada dos salva-vidas e a irregularidade da embarcação. Além disso, a demora no acionamento dos serviços de emergência e a falta de coletes salva-vidas para os passageiros foram também mencionadas como fatores críticos.
Mudanças no Transporte Após a Tragédia
Após o desastre, algumas melhorias foram implementadas no transporte regular entre Belém e Salvaterra, que abriga o principal porto do arquipélago. No entanto, essas mudanças vieram acompanhadas de um aumento nas tarifas, dificultando o acesso das famílias marajoaras ao transporte adequado. Muitos moradores ainda se veem obrigados a recorrer a opções clandestinas devido à falta de alternativas viáveis.
A Luta Continua
O ato realizado em Belém não apenas homenageou as vítimas, mas também simbolizou a contínua luta por justiça e melhorias nas condições de transporte na região. Os familiares permanecem firmes em sua busca por respostas e por um sistema que garanta a segurança dos passageiros.
Fonte: https://g1.globo.com













