Dívida do Rio de Janeiro atinge R$ 26 bilhões e busca reestruturação financeira

A atual situação financeira do Rio de Janeiro é alarmante, com a dívida do governo estadual com instituições financeiras alcançando a marca de R$ 26 bilhões. A revelação foi feita pelo governador em exercício, Ricardo Couto, durante uma coletiva de imprensa após uma reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em Brasília.
Busca por reestruturação das dívidas
Couto enfatizou que o governo está em busca de uma reestruturação abrangente das suas obrigações financeiras, com o objetivo de aliviar o custo dos juros e reorganizar as contas públicas. Ele explicou que as negociações vão além da adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que visa a renegociação das dívidas estaduais com a União.
Condições mais favoráveis
Durante a coletiva, o governador expressou a intenção de renegociar as dívidas sob condições mais vantajosas. Ele afirmou: “Desejamos fazer um reescalonamento desse débito com juros menores.” Couto destacou que o governo federal tem demonstrado uma postura favorável em relação a esses planos, o que pode facilitar a resolução da situação.
Sem nova garantia do Tesouro Nacional
Couto também abordou a questão das garantias necessárias para a viabilização das operações financeiras. Ele confirmou que não será exigida uma nova cobertura do Tesouro Nacional, afirmando que estão sendo discutidos novos formatos para a realocação das dívidas existentes.
Negociações com a União
Além do passivo com instituições financeiras, o governo do Rio de Janeiro está em negociações para reestruturar sua dívida com a União. Em maio, o estado recebeu autorização para participar do Propag, o que permitiu uma significativa redução da dívida, que caiu de R$ 210 bilhões para R$ 168,5 bilhões. Essa mudança se deu após o cumprimento de certas contrapartidas.
Impactos e contrapartidas do Propag
Com a adesão ao Propag, as parcelas mensais que o estado deve pagar foram diminuídas de R$ 436 milhões para R$ 119 milhões, e o prazo de quitação foi estendido até 2056. Outra alteração importante foi a eliminação dos juros reais, fazendo com que a dívida agora seja apenas corrigida pela inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Situação da refinaria Refit
Embora a reunião tenha abordado diversas questões financeiras, Couto não se pronunciou sobre a situação da Refinaria de Manguinhos, controlada pelo Grupo Refit, que é considerado um dos maiores devedores do país. A empresa enfrenta débitos tributários superiores a R$ 26 bilhões e está sob investigação por diversas fraudes fiscais.
Apoio do BNDES e recursos para áreas essenciais
O governador também planeja buscar o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para as próximas etapas da reestruturação financeira. Além disso, como parte das contrapartidas do Propag, o estado se comprometeu a destinar 1% do saldo devedor para áreas como educação, infraestrutura e segurança.
Reunião em Brasília e agenda alterada
A reunião realizada em Brasília foi de grande importância, levando o ministro da Fazenda a cancelar compromissos em São Paulo para participar da discussão sobre a situação financeira do Rio. Couto ressaltou que o foco principal do encontro foi encontrar alternativas para a reestruturação das dívidas estaduais.
Conclusão
A situação da dívida do Rio de Janeiro é um desafio significativo que requer uma abordagem estratégica e colaborativa com diferentes esferas do governo. A reestruturação planejada pode abrir portas para um futuro financeiro mais estável, mas depende de negociações bem-sucedidas e do comprometimento com as contrapartidas acordadas.













