Roraima Registra Aumento Alarmante de Assassinatos de Indígenas em 2025

O estado de Roraima se tornou o epicentro da violência contra populações indígenas no Brasil, conforme revelado no relatório intitulado "Violência contra os Povos Indígenas no Brasil", divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em 13 de outubro de 2025. O estudo destaca que, no último ano, 82 indígenas foram assassinados no estado, representando um aumento significativo em relação aos 57 casos registrados em 2024.
Crescimento dos Assassinatos e Contexto
O aumento de 25 assassinatos em Roraima é parte de uma tendência preocupante que se reflete na totalidade nacional, onde 258 indígenas foram mortos no Brasil em 2025. Este cenário alarmante levanta questões sobre a eficácia das políticas de segurança e proteção aos povos indígenas, especialmente em um estado onde a presença de garimpeiros e a exploração ilegal de recursos têm contribuído para a escalada da violência.
Dados e Fontes do Relatório
Os dados do relatório foram coletados por meio do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), das secretarias estaduais de Saúde e da Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (Sesai). O Cimi, que é vinculado à Igreja Católica, utiliza essas informações para dar visibilidade à situação crítica enfrentada pelos povos indígenas no Brasil, especialmente em Roraima, onde a violência tem raízes profundas em conflitos territoriais.
Casos Notórios de Violência
O relatório também documenta casos específicos que ilustram a gravidade da situação. Um exemplo é o assassinato de Itaci Yanomami, de 25 anos, que perdeu a vida em um confronto com garimpeiros armados na Terra Indígena Yanomami. Além disso, um adolescente Yanomami, de apenas 16 anos, foi morto durante um conflito interno entre comunidades, refletindo um aumento na letalidade associado à crescente distribuição de armas na região.
A Violência Afeta as Famílias
Outro caso trágico mencionado no relatório envolve o casal Warao, Yerferson de Jesus Montilla Matos e Myiela Perez Cardona, que foram assassinados a tiros no abrigo Pintolândia em Boa Vista, na frente de seus filhos, incluindo um bebê de apenas quatro meses, que também foi baleado. Esses eventos não apenas revelam a brutalidade da violência, mas também o impacto devastador que ela tem sobre as famílias indígenas.
Mortes de Crianças Indígenas em Aumento
Além dos assassinatos, o relatório do Cimi destaca o aumento nas mortes de crianças indígenas em Roraima, que chegaram a 158 em 2025, um aumento de 19 óbitos em comparação ao ano anterior. Este cenário é alarmante, uma vez que muitas dessas mortes estão associadas a causas evitáveis, como doenças infecciosas e desnutrição, refletindo a falta de acesso a serviços de saúde adequados e condições de vida dignas.
Conclusão e Chamado à Ação
O relatório do Cimi, publicado anualmente, serve como um importante alerta sobre a situação dos povos indígenas no Brasil, especialmente em Roraima, onde a violência e a negligência afetam gravemente a vida das comunidades. É urgentíssimo que o governo federal tome medidas efetivas para proteger esses grupos vulneráveis e garantir seus direitos, buscando reverter esse ciclo cruel de violência e morte que se perpetua no país.
Fonte: https://g1.globo.com













