Desocupação Polêmica em Boa Vista: Famílias Retiradas pela Guarda Municipal

Na manhã desta segunda-feira, 13 de julho, um grupo de cerca de 400 pessoas foi removido de uma área ocupada nas proximidades do bairro João de Barro, na zona Oeste de Boa Vista. A operação foi realizada pela Guarda Civil Municipal (GCM) com o apoio da Empresa de Desenvolvimento Urbano e Habitacional (Emhur), em resposta a uma reivindicação de propriedade feita por Rodrigo Jucá, filho do ex-senador Romero Jucá.
Motivo da Retirada
Rodrigo Jucá registrou um boletim de ocorrência alegando que a área, conhecida como Fazenda Rancho Alegre, estava sendo invadida. A advogada Auzerina Duarte, que representa os moradores, afirmou que a ação de desocupação ocorreu sem a apresentação de um mandado judicial, o que gerou questionamentos sobre a legitimidade da operação.
Ação da Guarda Municipal
A operação de remoção começou às 9h e envolveu o uso de força policial. De acordo com a nota da prefeitura, a GCM utilizou meios de dispersão de forma proporcional e dentro dos protocolos operacionais. Entretanto, vídeos gravados durante a ação mostram agentes usando escudos, bombas de efeito moral e até disparos de balas de borracha para afastar os ocupantes.
Reações e Consequências
A advogada Auzerina relatou que a situação foi caótica, com muitos moradores em estado de desespero durante a retirada. Segundo ela, houve um uso excessivo da força, e a desocupação foi marcada por confrontos verbais entre os ocupantes e os agentes da Emhur. Auzerina questionou a legalidade da operação que, segundo ela, não poderia ocorrer apenas com um boletim de ocorrência.
O Futuro dos Desabrigados
Após a desocupação, não foi informado para onde as famílias seriam encaminhadas. Os moradores, que chamavam a área ocupada de ‘Acampamento Raimunda Farias’ e estavam no local desde 6 de junho, agora enfrentam a incerteza quanto a seu futuro. A situação levanta questões sobre a falta de habitação e políticas públicas para atender a população mais vulnerável.
Nota da Prefeitura
Em resposta à situação, a Prefeitura de Boa Vista reiterou que a ação tinha como objetivo coibir o parcelamento irregular do solo e que foi realizada em conformidade com a legislação urbanística. A nota também enfatizou que houve diálogo com os ocupantes antes da desocupação, mas a realidade no local contradiz essa afirmação, conforme relatado pelos moradores.
Considerações Finais
Este episódio destaca a complexidade das questões de moradia e a tensão entre o cumprimento da lei e os direitos humanos. A falta de um mandado judicial para a desocupação e o uso de força policial levantam preocupações sobre a proteção dos direitos dos cidadãos e a responsabilidade do Estado em garantir moradia digna, especialmente para as populações de baixa renda.
Fonte: https://g1.globo.com













