A segurança dos presídios no Brasil enfrenta desafios cada vez mais sofisticados, especialmente com a introdução de novas tecnologias por grupos criminosos. A recente 11ª fase da Operação Mute, finalizada no dia 22 de setembro, revelou que uma porcentagem alarmante de 80% dos ilícitos que ingressam no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen) são trazidos por drones. Essa descoberta destaca uma vulnerabilidade significativa no sistema de segurança do presídio.
Em uma ação coordenada realizada na terça-feira, 26 de setembro, as autoridades conseguiram identificar e prender quatro indivíduos envolvidos em um esquema de entrega de materiais ilícitos a um detento do Iapen. A operação resultou na apreensão de drones, relógios inteligentes, dinheiro, carregadores e celulares, todos encontrados em um veículo próximo ao presídio. Segundo o diretor-presidente do Iapen, Luiz Carlos Gomes, o uso de drones para sobrevoar e arremessar materiais dentro da unidade se tornou uma prática comum entre facções criminosas.
Historicamente, os celulares eram considerados a principal ameaça dentro das prisões, com apreensões que chegaram a 300 aparelhos em uma única operação. No entanto, a introdução de drones mudou o cenário, permitindo que as organizações criminosas eludam as medidas de segurança com mais eficiência. Gomes enfatiza que 'um celular nas mãos de um preso é a principal ferramenta de organização e atuação das facções criminosas', mas agora os relógios inteligentes também estão se tornando um novo foco de preocupação devido às suas funcionalidades discretas.
A Operação Protetor é uma iniciativa nacional que visa reduzir a comunicação e a coordenação de atividades criminosas dentro dos presídios. Investigadores alertam que muitos dos crimes, incluindo fraudes virtuais, são orquestrados a partir do interior do Iapen. Durante a última fase da operação, mais de 120 policiais realizaram revistas em 60 celas, resultando na transferência de 550 presos de várias alas do presídio.
Após dois meses de investigações, a polícia identificou que os integrantes do grupo criminoso tinham papéis específicos dentro do esquema. Segundo o secretário de Justiça e Segurança Pública do Amapá, Cezar Vieira, todos os envolvidos eram naturais do Amapá e adquiriram os equipamentos fora do estado, cada um contribuindo de alguma forma para levar os materiais ao Iapen. Os detentos envolvidos agora enfrentam acusações de organização criminosa e tráfico de drogas.
O recente desmantelamento desse esquema evidencia a necessidade urgente de inovações na segurança dos presídios. A vulnerabilidade do espaço aéreo, conforme destacado pelo diretor do Iapen, exige uma resposta eficaz das autoridades para mitigar os riscos que a tecnologia representa para a segurança pública. A combinação de esforços entre diferentes forças de segurança será essencial para enfrentar os desafios impostos pelas facções criminosas e garantir a integridade do sistema prisional.
Fonte: https://g1.globo.com
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