Na zona sul de Porto Velho, um condomínio foi construído em um local que, até pouco tempo atrás, servia como cemitério público. O antigo Cemitério Cristo Redentor, situado próximo ao Hospital João Paulo II e ao bairro Eletronorte, é um exemplo marcante de como a história urbana pode ser transformada ao longo dos anos.
A história do Cemitério Cristo Redentor remonta a 1967, quando a Prefeitura de Porto Velho decidiu inaugurá-lo para atender à demanda crescente, substituindo o Cemitério dos Inocentes, que já estava superlotado. A pesquisa do historiador Luís Henrique Araújo revela que o novo espaço só começou a operar efetivamente em 1970, após uma série de obras de adaptação.
Desde o início, o cemitério enfrentou problemas significativos, especialmente durante a estação das chuvas, quando a área frequentemente alagava devido ao lençol freático elevado. Essa situação não apenas complicava os sepultamentos, mas também levantava sérias preocupações sanitárias, como a possível contaminação do solo e de poços de água próximos.
Diante das dificuldades persistentes, em 1975, a Prefeitura decidiu desativar o cemitério para novos sepultamentos, conforme estabelecido no Decreto nº 641. O decreto destacava que a manutenção do local demandaria investimentos significativos em drenagem, sem garantias de que os problemas seriam resolvidos de forma definitiva.
Após a desativação, a Prefeitura abriu um novo cemitério em uma área mais adequada, às margens da estrada que leva à Cachoeira de Santo Antônio, na região do rio Madeira. Com a interrupção dos sepultamentos, o antigo cemitério começou a perder sua função original, à medida que a urbanização de Porto Velho avançava.
A transformação do espaço foi consolidada em 1982, quando ocorreu a exumação definitiva dos corpos, um processo que envolveu a colaboração da Prefeitura e de empresas ligadas à Usina Hidrelétrica de Samuel. A operação de remoção, que se iniciou com uma missa, contou com a presença de familiares dos falecidos e levou cerca de um ano para ser concluída, resultando na transferência de aproximadamente 690 sepultados para o Cemitério Santo Antônio.
Com a área desocupada, foi desenvolvido um condomínio planejado, voltado principalmente para funcionários da Eletronorte, incluindo engenheiros e médicos. Hoje, esse conjunto residencial é considerado uma região valorizada de Porto Velho, símbolo do crescimento urbano e da expansão imobiliária da capital.
A história da transformação do Cemitério Cristo Redentor em um condomínio é um exemplo fascinante das complexas interações entre memória, espaço urbano e desenvolvimento. Este caso ilustra como áreas que antes eram dedicadas a funções específicas podem ser reimaginadas e adaptadas para atender às novas demandas da sociedade, ao mesmo tempo em que preservam um legado histórico.
Fonte: https://g1.globo.com
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