O Exército Brasileiro promoveu uma intensa simulação de guerra na Amazônia, utilizando viaturas blindadas, aeronaves e sensores inteligentes. A atividade teve duração de quatro dias e ocorreu na fronteira Norte do Brasil, envolvendo mais de 1.100 militares em um percurso de 550 km que atravessou a Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
O evento culminou em uma batalha simulada na cidade de Normandia, Roraima, onde 260 soldados participaram de um combate entre as forças de ataque e defesa para 'reconquistar' o aeródromo local. A simulação ocorreu às margens da rodovia BR-401 e contou com a participação de militares oriundos de Roraima, Amazonas e Rio de Janeiro.
Durante a simulação, foram utilizados 140 equipamentos com sensores, instalados em capacetes e coletes dos soldados. Esses dispositivos emitiram alertas sonoros quando um militar era 'atingido', sinalizando se ele estava ferido ou 'morto'. Os dados coletados pelos sensores permitiram um acompanhamento em tempo real das baixas e movimentos, que posteriormente foram utilizados para a elaboração de relatórios de desempenho.
Os combates foram realizados com tiros de festim, que produzem o som do disparo, mas não contêm projéteis. Essa abordagem garantiu a segurança dos participantes, enquanto permitiu que os moradores de Normandia testemunhassem a presença militar. A população foi previamente informada, mas a magnitude da operação surpreendeu muitos, especialmente as crianças nas escolas próximas.
O exercício militar contou com 39 viaturas blindadas, incluindo os modelos Guaicurus e Guarani. O Guaicurus, um veículo 4x4, é utilizado para proteção e reconhecimento, enquanto o Guarani serve para o transporte de tropas. A marcha de combate teve início na interseção da BR-174 com a BR-433, atravessando a Terra Indígena até Normandia, e incluiu suporte aéreo de aeronaves A-29 Super Tucano.
O major Pedro Xavier, da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, destacou que o treinamento visou testar a capacidade da tropa em reconquistar áreas invadidas. Ele enfatizou que o Exército se prepara constantemente para responder a situações de emergência, reafirmando sua vocação para a defesa das fronteiras do país. A ação em Normandia foi uma demonstração clara desse compromisso.
Durante o exercício, soldados à paisana interpretaram civis em situações de emergência, solicitando ajuda no meio do combate. Essa interação proporcionou uma oportunidade de treinamento mais realista para os militares, que realizaram o socorro e encaminharam os 'civis' a um posto de triagem fictício, simulando a complexidade das operações em áreas urbanas.
A simulação realizada pelo Exército Brasileiro na Amazônia não apenas reafirma a capacidade das Forças Armadas em atuar em situações de crise, mas também destaca a importância da tecnologia e da interação com a comunidade no processo de treinamento. Esse tipo de operação é essencial para manter a prontidão e a eficácia das tropas na proteção das fronteiras do país.
Fonte: https://g1.globo.com
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