A comunidade haitiana em Roraima vive um momento de intensa emoção com o retorno do Haiti à Copa do Mundo após 52 anos. O sentimento é compartilhado por muitos, incluindo Jeff Kelly Douezan, um motorista de aplicativo de 41 anos, que expressou seu desejo de ver tanto o Haiti quanto o Brasil se destacarem na competição.
Jeff destaca que, para ele, o ideal seria que ambos os times conquistassem bons resultados. Ele menciona: "Quero que o Haiti ganhe um, e o Brasil ganhe outro. Seria uma alegria ver meus dois times juntos na competição." A expectativa é especialmente alta para essa geração, que nunca havia presenciado o Haiti em uma Copa do Mundo.
Natural da ilha caribenha, Jeff imigrou para o Brasil há 14 anos, passando pela Venezuela antes de se estabelecer em Roraima. Ele se adapta à cultura local e expressa seu carinho pelo Brasil, onde se sente em casa. "Já virei 'negão macuxi'", brinca, referindo-se ao povo indígena da região.
A união da comunidade haitiana no bairro Pricumã é fruto de uma rede de solidariedade que se fortaleceu ao longo dos anos. Francknel Clairisier, conhecido como Fran, é um dos líderes dessa comunidade e expressa sua alegria ao saber que o Haiti está jogando novamente. Ele chegou ao Brasil em 2015 e, assim como muitos, também fugiu da crise que assola seu país natal.
Fran, que trabalha no setor de passagens aéreas, observa que, embora muitos haitianos tenham apoiado o Brasil nas últimas Copas, a classificação do Haiti para o Mundial mudou a dinâmica. Agora, a torcida se volta para o país de origem, revelando um profundo sentimento de patriotismo.
A trajetória de Fran se entrelaça com a da brasileira Daphany Magalhães Júlio, que há uma década se dedica a ajudar imigrantes haitianos. A amizade que começou em um momento difícil, quando Fran vivia em situação de rua, evoluiu para uma parceria que oferece suporte a novos imigrantes, ajudando-os a se estabelecerem no Brasil.
Atualmente, Roraima abriga 361 haitianos com residência ativa, um número que reflete o fluxo migratório intenso que começou após o terremoto de 2010. A crise política e humanitária no Haiti forçou muitos a buscarem melhores condições de vida, e Roraima se tornou uma das principais portas de entrada para esses imigrantes.
Para a comunidade haitiana em Roraima, a participação do Haiti na Copa do Mundo simboliza não apenas uma realização esportiva, mas uma reafirmação de identidade e resistência. A paixão pelo futebol, que une haitianos e brasileiros, é um reflexo da luta e da esperança por um futuro melhor, onde todos possam celebrar juntos.
Fonte: https://g1.globo.com
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