Um inquérito da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e da Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Roraima revelou um esquema audacioso que resultou no roubo de 30 kg de ouro e R$ 800 mil em Boa Vista. O crime, que ocorreu em março de 2026, foi meticulosamente planejado em um grupo de WhatsApp chamado 'Planos de ficar rico.com', criado apenas dois dias antes da ação criminosa.
O grupo de WhatsApp foi fundado por Ariane Cabral Paes, esposa do investigador Marcelo Henrique Sobral, da Polícia Civil. Além do casal, faziam parte do grupo a irmã de Ariane, Rayana Cabral Paes, e seu namorado, Guilherme Santana da Silva. Todos os envolvidos foram posteriormente investigados e chegaram a ser detidos pela polícia.
O inquérito revela que o grupo utilizou a plataforma de mensagens para coordenar os detalhes do assalto, incluindo a execução de uma operação policial fictícia na residência do influenciador Ivan Luiz Bastos Guimarães, situada no bairro Caçari. A comunicação foi pautada por mensagens que, na maioria das vezes, tinham visualização única, dificultando a recuperação das informações pelas autoridades.
No dia anterior ao roubo, Rayana compartilhou uma imagem de Guilherme vestindo uma touca ninja, enquanto Marcelo Sobral confirmou a preparação com uma mensagem entusiástica. A tensão aumentou quando os policiais, que haviam viajado de Manaus, se atrasaram, levando Ariane a expressar preocupação sobre a possibilidade de uma armadilha. Para minimizar suspeitas, o grupo decidiu usar uma caminhonete descaracterizada da polícia para realizar o assalto.
No dia do crime, Guilherme foi instruído a se vestir de forma discreta e, após uma série de mensagens de confirmação, o grupo se dirigiu ao alvo. Às 19h59, após a execução bem-sucedida do roubo, Guilherme enviou a palavra 'Bingo' para sinalizar o sucesso da operação. Ariane, que aguardava em casa, celebrou a conquista, enquanto as irmãs discutiam como dividir o dinheiro roubado.
O alarde gerado pelo crime rapidamente se transformou em pânico quando o grupo foi informado de que o roubo havia sido denunciado. A Corregedoria iniciou uma investigação sobre o uso da viatura oficial, levando os membros a um estado de desespero. A defesa do delegado John Castilho, que também foi preso, alegou que ele não tinha qualquer envolvimento no crime, enquanto a defesa de Ivan Luiz Bastos Guimarães afirmou que ainda não havia provas de sua participação.
A trama orquestrada por Ariane e seus cúmplices expõe falhas alarmantes na segurança e no controle interno da Polícia Civil de Roraima. O caso continua a se desdobrar, com as investigações em andamento para esclarecer todos os detalhes do roubo e as implicações legais para os envolvidos. A situação evidencia a necessidade de um exame profundo nas práticas de fiscalização e conduta de oficiais policiais.
Fonte: https://g1.globo.com
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