A coleta de DNA emerge como uma ferramenta crucial na busca por pessoas desaparecidas no Amapá, oferecendo um suporte significativo para as famílias que enfrentam essa dolorosa situação. A Polícia Científica do Estado do Amapá disponibiliza esse serviço de forma contínua nas cidades de Macapá e Santana, permitindo que os familiares contribuam ativamente na identificação de seus entes queridos.
O material genético coletado é encaminhado ao Banco Nacional de Perfis Genéticos, onde é comparado com amostras de pessoas desaparecidas em todo o país. Essa iniciativa visa não apenas a identificação de desaparecidos, mas também a redução dos casos de desaparecimento no estado. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam que o Amapá registrou 410 ocorrências em 2025, refletindo uma diminuição de 8,9% em relação ao ano anterior.
A coleta de DNA é destinada prioritariamente aos parentes de primeiro grau, como pais, filhos e irmãos. Esta proximidade aumenta as chances de encontrar um perfil genético compatível, essencial para a identificação. No entanto, na ausência de parentes diretos, outros membros da família também têm a possibilidade de realizar a coleta, abrangendo casos de desaparecimentos antigos, desde que devidamente registrados.
Sarah Araújo, coordenadora da ação, enfatiza que não há restrições de idade para os participantes. Independentemente de serem crianças, adultos ou idosos, todos que tiverem um familiar desaparecido podem procurar a delegacia e solicitar a coleta, desde que apresentem o boletim de ocorrência correspondente.
Para realizar a coleta, é necessário que o familiar apresente um documento de identificação com foto, além do boletim de ocorrência do desaparecimento. A equipe da Polícia Científica realiza uma entrevista inicial para coletar informações adicionais que possam ser relevantes, como características físicas e vestimentas da pessoa desaparecida. O processo de coleta envolve a extração de uma amostra de saliva da bochecha, utilizando uma haste flexível, sendo este um procedimento rápido e indolor.
Após a coleta, o laboratório de genética forense processa a amostra para extrair o perfil genético, que é posteriormente inserido em bancos de dados estadual e nacional. Segundo Pablo Francez, gerente técnico do laboratório, os dados são cruzados com perfis de cadáveres não identificados, pessoas desaparecidas e indivíduos que não conseguem informar sua identidade. Quando há uma correspondência, a instituição responsável pela investigação emite um laudo e notifica a família que forneceu a amostra.
O relato de Zuleide Costa, que participou da coleta após o desaparecimento de seu pai, ilustra a importância desse procedimento. Ela destaca que, mesmo sem notícias, a participação no programa traz uma sensação de esperança, pois a família será avisada caso algum corpo ou pessoa compatível apareça. Após a confirmação da identificação, o perfil genético é removido dos bancos, encerrando o processo para aquela família.
As coletas de DNA podem ser realizadas nas seguintes unidades da Polícia Científica: em Macapá, na Rua Floriano Waldeck, nº 1469, no bairro São Lázaro, e em Santana, na Avenida Lucena de Azevedo, s/n, no bairro Daniel. Essas localidades estão preparadas para atender as famílias que buscam por seus entes desaparecidos, oferecendo um serviço essencial em momentos de dificuldade.
A coleta de DNA no Amapá representa uma esperança renovada para as famílias que lidam com o desespero da ausência de um ente querido, promovendo não apenas a possibilidade de identificação, mas também um apoio emocional vital nesse processo doloroso.
Fonte: https://g1.globo.com
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