A arte é uma poderosa forma de expressão que pode atravessar fronteiras e conectar culturas. Vandria Borari, uma artista ceramista e liderança indígena da vila de Alter do Chão, no oeste do Pará, exemplifica essa conexão ao levar sua obra para a Europa. Sua arte, moldada nas margens do rio Tapajós, carrega consigo a memória, espiritualidade e a resistência dos povos indígenas da Amazônia.
Vandria Borari participará da exposição coletiva intitulada No Hay Banda, que ocorrerá na Conceptual Fine Arts, em Milão, entre 29 de maio e 26 de junho de 2026. Este evento reunirá artistas de diversas partes do mundo, todos trazendo obras que dialogam com temas como território, memória e espiritualidade, além de refletirem sobre a arte contemporânea.
No coração da representação amazônica na exposição, encontra-se a instalação YUPIRANGÁWA, que se traduz do Nheengatu como 'origem'. Esta obra foi concebida para explorar e revelar a relação íntima entre os povos originários e a 'Kaa', ou floresta viva, destacando a importância das sementes, plantas medicinais e frutas na construção da história amazônica.
As criações de Vandria são influenciadas por vestígios paleoetnobotânicos encontrados em sítios arqueológicos no oeste do Pará. Esses locais foram estudados pela antropóloga Myrtle Pearl Shock, da Universidade Federal do Oeste do Pará. A artista utiliza sementes ancestrais como de tucumã, curuá, muruci e castanha-do-pará, transformando-as em esculturas cerâmicas de grandes dimensões.
As peças de Vandria não são apenas obras de arte, mas sim testemunhos da história e da cultura da região. Elas fazem alusão a descobertas feitas em locais históricos como o Porto de Santarém e a Caverna da Pedra Pintada, em Monte Alegre. Essas áreas são ricas em terra preta amazônica, vestígios cerâmicos e indícios das antigas ocupações humanas que moldaram a floresta.
A produção artística de Vandria Borari ultrapassa os limites do mero fazer artístico. Cada peça representa uma narrativa viva dos povos do Baixo Tapajós, onde o barro carrega não apenas a forma, mas também a essência da resistência cultural e a ancestralidade dos indígenas em relação à Amazônia. A arte se torna, assim, um elo entre passado e presente, entre a floresta e o mundo.
A participação de Vandria Borari na cena artística internacional é uma celebração da cultura indígena e uma oportunidade de compartilhar a riqueza da Amazônia com o mundo. Sua obra, que dialoga com elementos de ancestralidade e sustentabilidade, reafirma a importância da arte como veículo de memória e resistência, permitindo que a história dos povos da floresta não seja esquecida, mas sim reverberada em cada canto do globo.
Fonte: https://g1.globo.com
Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!
Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!