Um estudo recente revelou que aproximadamente 25% dos pacientes com esclerose múltipla no Brasil enfrenta uma espera superior a cinco anos para obter um diagnóstico preciso. Essa demora pode agravar a progressão da doença, que é uma condição crônica e autoimune que afeta principalmente mulheres jovens. A pesquisa, realizada pela HSR Health em colaboração com a Roche Farma e divulgada pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), foi apresentada no último dia 28 de agosto, durante a campanha de conscientização sobre a doença.
O levantamento, que entrevistou 368 indivíduos em tratamento, revelou que mais da metade dos participantes (56,8%) recebeu um diagnóstico incorreto antes da confirmação da esclerose múltipla. Além disso, 14,1% dos entrevistados relataram que levaram uma década ou mais desde o início dos primeiros sintomas até o diagnóstico definitivo. O neurologista Rodrigo Kleinpaul, coordenador do Ambulatório de Neuroimunologia do Hospital das Clínicas da UFMG, ressaltou a importância de um diagnóstico rápido para minimizar danos permanentes.
De acordo com a pesquisa, 36% dos participantes atribuíram a principal barreira para a obtenção do diagnóstico a médicos e profissionais de saúde, enquanto 23% mencionaram os exames e investigações, como a ressonância magnética, que implicam custos elevados. Outros 18% citaram a própria lentidão do diagnóstico e 12% apontaram os altos custos associados ao acesso ao diagnóstico correto como obstáculos significativos.
A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica que afeta cerca de 40 mil brasileiros, particularmente mulheres entre 20 e 40 anos, que estão em uma fase produtiva de suas vidas. A condição faz com que o sistema imunológico ataca a mielina, a camada que protege as fibras nervosas, prejudicando a comunicação entre o cérebro e o corpo. As consequências incluem impactos significativos na mobilidade, saúde mental e na autonomia dos pacientes.
Os sintomas da esclerose múltipla muitas vezes se assemelham aos de outras condições, o que dificulta o diagnóstico. Por exemplo, problemas de visão, dor, dormência e formigamento podem ser interpretados erroneamente. De acordo com Kleinpaul, é comum que jovens mulheres sejam diagnosticadas com ansiedade ao invés de esclerose múltipla, o que contribui para atrasos no tratamento adequado.
Lucimara de Lima Santana, uma educadora física de 44 anos, compartilhou sua experiência angustiante. Após apresentar sintomas como fadiga intensa e dificuldades respiratórias, ela percorreu vários especialistas em São Paulo por quatro anos antes de receber o diagnóstico correto. Inicialmente, seus sintomas foram atribuídos a outras condições, como problemas de visão e colangite biliar primária. Somente após a realização de exames específicos, incluindo ressonâncias magnéticas, foi confirmada a esclerose múltipla.
A conscientização sobre a esclerose múltipla é fundamental para a detecção precoce e o tratamento da doença. Eventos como o Agosto Laranja são essenciais para informar a população sobre os sintomas e a importância de buscar atendimento médico adequado. O diagnóstico precoce pode fazer uma diferença significativa na qualidade de vida dos pacientes, retardando a progressão da doença e preservando sua funcionalidade.
Os dados apresentados na pesquisa evidenciam a necessidade urgente de melhorias no processo de diagnóstico da esclerose múltipla no Brasil. É crucial que profissionais de saúde estejam mais atentos aos sintomas e que haja maior acesso a exames diagnósticos para que os pacientes possam receber o tratamento adequado o mais cedo possível, minimizando os impactos da doença em suas vidas.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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