DNA do vira-lata caramelo: estudo da USP desvenda a origem do cão brasileiro

O vira-lata caramelo, figura onipresente nas ruas e lares brasileiros, teve sua composição genética finalmente mapeada por pesquisadores do laboratório de genética animal da Universidade de São Paulo (USP). O estudo buscou compreender os fatores biológicos que definem esse ícone cultural, analisando amostras de DNA de cães provenientes de três estados distintos: São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.
A complexa composição genética do caramelo
A investigação científica utilizou como base os perfis de três animais específicos: Jenny, de São Paulo; Valente, do Rio de Janeiro; e Frevo, de Pernambuco. Os resultados demonstraram que a pelagem característica não é fruto de uma linhagem pura, mas sim de uma miscigenação vasta e complexa, consolidando o caramelo como um exemplar da diversidade genética canina.
No caso de Valente, os exames detectaram traços de boxer, galgo espanhol e chihuahua, além de uma parcela de 75% composta por dezenas de outras raças. Frevo, por sua vez, apresentou marcadores genéticos de fila brasileiro e doberman, somados a influências de outras 62 raças. Já Jenny surpreendeu os especialistas ao revelar uma presença significativa de Yorkshire terrier em sua ancestralidade.
Diversidade e a ausência de um padrão racial
A conclusão central do estudo é que o caramelo não constitui uma raça, mas um resultado de múltiplos mecanismos genéticos acumulados ao longo de gerações. A geneticista responsável pela análise reforça que a variação de porte e temperamento desses animais é um reflexo direto da pluralidade populacional do Brasil, não existindo um modelo único ou padrão morfológico definido.
Dados estatísticos indicam que aproximadamente 40% dos cães sem raça definida (SRD) no país apresentam essa tonalidade de pelagem. Essa prevalência, aliada à ausência de um padrão, reforça a tese de que o caramelo é um fenômeno de distribuição genética aleatória, onde um único indivíduo pode carregar o legado biológico de mais de 60 raças diferentes.
Fonte: caesegatos.com.br













