Moradores Relatam Sintomas de Mal-Estar Após Vazamento de Gás Tóxico em Manaus

Dois dias após um vazamento de monômero de estireno em Manaus, moradores e trabalhadores da área continuam a relatar episódios de mal-estar. A substância, utilizada na produção de plásticos e borrachas sintéticas, causou sintomas como náuseas, dores de cabeça e irritação ocular entre aqueles que vivem nas proximidades da empresa Innova, localizada no Distrito Industrial.
O Incidente e Seus Efeitos Imediatos
O vazamento ocorreu na quarta-feira, 15 de novembro, às 17h36, quando houve uma elevação anormal na temperatura do monômero. A inalação do gás é conhecida por causar diversos problemas de saúde. Desde o incidente, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) registrou 211 atendimentos relacionados ao caso, com a maioria dos pacientes recebendo alta, mas um homem de 67 anos faleceu após buscar atendimento, embora a secretaria não tenha encontrado ligação direta entre a morte e o vazamento.
Relatos de Moradores e Trabalhadores
Rosivete Ferreira, uma moradora de 63 anos, relatou que começou a sentir os sintomas logo após o vazamento. 'Senti náuseas, um forte aperto na garganta e dor de cabeça', disse. Ela também mencionou que o odor persistente a levou a manter a casa fechada por horas. Já Luiz Ferreira, um ajudante de caminhão que trabalha nas proximidades, confirmou que ele e colegas passaram mal, mas mesmo assim continuaram suas atividades sem qualquer orientação da empresa.
Reação das Autoridades e Medidas de Contenção
Após o vazamento, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas iniciou um trabalho de resfriamento do tanque da Innova, visando prevenir novos incidentes. A principal suspeita é de que uma reação espontânea tenha causado a elevação da temperatura. A Innova, por sua vez, afirmou que o vazamento foi controlado conforme seus protocolos de emergência e destacou que não houve incêndio nem vazamento de líquido fora da área de contenção.
Consequências e Preocupações Futuras
A toxicidade do monômero de estireno é uma preocupação significativa, uma vez que ele pode se evaporar rapidamente e se espalhar por grandes distâncias. Karime Bentes, chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ressaltou que a chuva pode reagir com a substância, potencializando os riscos de contaminação. A empresa Innova garantiu que está colaborando com as autoridades e que não há risco de desabastecimento para seus clientes.
Conclusão
O vazamento de gás em Manaus evidenciou a necessidade de um monitoramento mais rigoroso e de protocolos de emergência mais eficazes para proteger a saúde da população e prevenir incidentes semelhantes no futuro. A situação continua a ser acompanhada pelas autoridades, enquanto os moradores se recuperam dos efeitos do incidente.
Fonte: https://g1.globo.com











